O que é Clevatess?

Imagine um mundo onde heróis não são invencíveis. Onde o "vilão" não é simplesmente mau — ele é uma força da natureza com sua própria lógica, seu próprio código. E onde um bebê inocente se torna o elo entre dois mundos que deveriam se destruir.

Esse é Clevatess (クレバテス) — um anime de dark fantasy que chegou no verão de 2025 para sacudir a temporada. Baseado no manga de Yūji Iwahara, o mesmo criador de Dimension W e Ibara no Ou, a obra foi adaptada pelo estúdio Lay-duce e dirigida por Kiyotaka Taguchi.

Desde o primeiro episódio — transmitido com uma hora de duração — ficou claro que Clevatess não veio pra ser mais um anime de fantasia. Ele veio pra te machucar, te surpreender, e te fazer pensar.

O mundo de Clevatess

O cenário é um continente dominado por quatro Reis das Bestas Mágicas — seres de poder incomparável, que existem além da compreensão humana. Os reinos humanos coexistem com essa realidade de forma frágil, sabendo que qualquer provocação pode resultar em destruição total.

E é exatamente isso que acontece.

Um rei decide que pode eliminar a ameaça. Ele reúne 13 heróis, os mais poderosos do continente, cada um portando armas lendárias e carregando o peso da esperança de toda uma nação. A missão: matar Clevatess, o mais poderoso dos quatro reis.

A missão falha. Completamente.

Clevatess não apenas derrota os heróis — ele destrói o reino inteiro como resposta. Uma vingança fria, calculada, sem raiva. Apenas consequência. E no meio das ruínas, entre os corpos e a fumaça, ele encontra algo inesperado: um bebê.

A criança se chama Runa, herdeira da família real massacrada. E por razões que nem ele mesmo consegue explicar completamente, Clevatess decide ficar com ela.

Os personagens que fazem essa história funcionar

Clevatess — O Rei que não deveria se importar

Clevatess é tudo que um "antagonista" deveria ser — e ao mesmo tempo, é completamente diferente disso. Ele é imenso, frio, brutalmente honesto. Mata sem hesitar. Não sente culpa. Não pede desculpa.

Mas Runa muda algo nele. Não de forma instantânea, não de forma piegas. É uma mudança lenta, quase imperceptível — como água que vai esculpindo pedra. E é justamente esse processo que prende o espectador. Ver um ser dessa magnitude aprender o que é cuidar de alguém é ao mesmo tempo estranho, cômico e profundamente tocante.

Na forma humana, ele é dublado por Tamura Mutsumi, com uma voz arrogante e fria que encaixa perfeitamente. Na forma de besta, Nakamura Yuichi assume — e só a voz já é suficiente pra sentir que não tem saída possível numa batalha contra ele.

Alicia Glenfall — A heroína que se recusa a desistir

Alicia sonhou a vida toda em ser uma heroína. Ela foi escolhida pelo rei, treinou, lutou — e morreu. Derrotada por Clevatess no ataque ao reino.

Mas ele a ressuscita. Não por bondade — por conveniência. Ele precisa de alguém para ajudar a cuidar de Runa, e Alicia, mesmo morta, ainda carrega sua força de vontade intacta.

Agora ela é uma morta-viva, ligada à magia de Clevatess. Seus membros se regeneram, mas cada ferida dói. Ela pode ser despedaçada e continuar — mas não sem sofrimento. É uma imortalidade cruel, e o anime não poupa o espectador dessa realidade.

O que torna Alicia especial não é seu poder — é sua teimosia. Mesmo presa, mesmo sob as ordens de um ser que a vê como ferramenta, ela nunca abandona sua identidade como heroína. Ela questiona, enfrenta, protege. E é através dela que a maioria da narrativa se desenrola.

Runa — O coração da história

Runa é um bebê. Ela não luta, não fala, não tem poder algum. E ainda assim é o personagem mais importante da série.

É em torno dela que tudo gira. A relação entre Clevatess e Alicia existe por causa dela. As mudanças nos dois personagens acontecem por causa dela. Ela representa algo que esse mundo brutal quase não tem: inocência pura.

Ver Clevatess — um ser que destruiu um reino — tentando acalmar um bebê que chora é uma das imagens mais marcantes do anime. Engraçado e ao mesmo tempo pesado, porque você sabe exatamente o que ele é capaz de fazer.

O que torna Clevatess diferente

Muitos animes de fantasia seguem a mesma fórmula: protagonista fraco descobre poder, cresce, vence. Clevatess inverte isso completamente. O ser mais poderoso já está no centro desde o início — e a jornada não é sobre se tornar forte. É sobre se tornar humano.

A narrativa tem uma brutalidade que lembra Berserk. Pessoas morrem. Crianças sofrem. O mundo não é justo e o anime não tenta esconder isso. Mas diferente de obras que usam o sofrimento como espetáculo, aqui cada cena pesada tem peso narrativo. Cada momento difícil existe para dizer algo sobre os personagens e sobre o mundo.

A construção do universo também é um ponto forte. As quatro bestas-rei, a política dos reinos humanos, os heróis com motivações e histórias próprias — tudo isso vai sendo revelado de forma orgânica, sem dumps de informação. Você vai aprendendo junto com Alicia, que também está descobrindo esse mundo por um ângulo completamente novo.

Produção e qualidade técnica

O estúdio Lay-duce entregou um visual consistente, especialmente nas cenas de combate. A direção de Taguchi — com experiência em tokusatsu — traz um ritmo dinâmico nas batalhas, com enquadramentos que transmitem bem a diferença de escala entre Clevatess e qualquer coisa que tente enfrentá-lo.

O elenco de dublagem é absurdamente talentoso. Além de Nakamura Yuichi e Tamura Mutsumi, a série conta com nomes como Chiba Shigeru, Seki Tomokazu, Kurosawa Tomoya e Fairouz Ai — cada um entregando performances que elevam ainda mais a qualidade da obra.

A trilha sonora de Nobuaki Nobusawa complementa perfeitamente o clima da série — épica nas batalhas, sombria nos momentos de tensão, e surpreendentemente suave nos momentos com Runa.

O opening "Ruler" de Mayu Maeshima é um dos melhores da temporada — com uma batida que cresce junto com a grandiosidade da obra. O ending "Destiny" de Ellie Goulding fecha cada episódio com uma melancolia que fica na cabeça.

Ficha técnica

  • Título completo: Clevatess: Majū no Ō to Akago to Shikabane no Yūsha
  • Estúdio: Lay-duce
  • Diretor: Kiyotaka Taguchi
  • Autor original: Yūji Iwahara
  • Música: Nobuaki Nobusawa
  • 1ª temporada: julho a setembro de 2025
  • 2ª temporada: prevista para julho de 2026
  • Onde assistir: Crunchyroll
  • Opening: "Ruler" — Mayu Maeshima
  • Ending: "Destiny" — Ellie Goulding

Vale o hype?

Sim. Sem dúvida.

Clevatess não é um anime confortável. Ele não vai te dar um protagonista para torcer de forma simples, não vai te oferecer vitórias fáceis, e não vai poupar você das partes feias do mundo que construiu. Mas é exatamente por isso que ele funciona.

É uma história sobre poder e responsabilidade. Sobre o que acontece quando o ser mais forte do mundo se depara com algo que não pode resolver na força. Sobre como até a criatura mais fria pode ser transformada pela presença de um ser completamente indefeso.

Se você curte Berserk, Mushoku Tensei ou qualquer obra que leva seu universo a sério e não tem medo de ser pesada — Clevatess é obrigatório.

A segunda temporada já foi confirmada para julho de 2026. Você tem tempo de assistir a primeira e ainda estar em dia quando ela chegar.

Não desperdice essa chance.